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2.7.08

Os objetos da casa não me dizem nada,
tento convence-los disso.

desisto quando mostram-me suas finalidades.

Um comentário:

a sêde do peixe disse...

Velhos garotos

era mais fácil achar água no meio do deserto do atacama do que encontrar um adjetivo no texto dele.

seco seco seco duro duro duro senza speranza.

“meninas de lábios molhados trotam pelo corredor, cozinham meu coração e repentinamente somem como pássaros que encontraram a porta do viveiro aberta”.

eu o desafiei para a velha brincadeira de criar-o-menor-conto-do-mundo.

ele escreveu:

“ela nem notou, mas a marca do pé na porta ainda estava lá, um ano depois”.

hijo de putana!

grande amigo, emprestou 700 paus e eu nunca devolvi – sempre falta um trocado na hora de fazer o depósito na conta dele.

quando ele diz “detesto björk” eu o entendo e compreendo, sei que não está fazendo gênero, é do fundo do coração.

quando concorda com o argumento fascista do taxista... bom, eu o odeio, mas sei que é apenas mais uma camada infinita da sua casca grossa. e sinto vontade de esmurrá-lo: não tem jeito, o miserável.

o amigo não é igual ao amigo, mas é amigo assim mesmo.

quando o garoto da família se matou, jogando-se de uma janela, deixando a mãe arrasada, eu chorei de encharcar a camisa.em volta, senti que era o único que partilhava de verdade aquela dor, ou que a compreendia.

reacionário, mas ao mesmo tempo não é conservador.

é de direita, mas ao mesmo tempo está à esquerda de átila, o huno.

machista, e isso é imperdoável.

toda criança o adora.

mora longe, mas quando vem aqui sempre aparece - e nunca mudou, embora esteja em mutação constante.

quando o deixei, semana passada, desci as escadas do prédio sem elevador e ainda conseguia ouvir lá da rua o som no máximo volume tocando house of cards, nova (e absurda) canção do radiohead.
(publicado no velho blog, em 5 de novembro de 2007)

JOTABÊ MEDEIROS