1.2.10
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19.1.10
permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte
com o mesmo rosto tranqüilo
poema epigrama da poeta marly de oliveira
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sobre: poemas escolhidos
8.1.10
7.1.10
a estrela da tarde está
madura
e sem nenhum perfume
a estrela da tarde é
infecunda
e altíssima
depois da estrela da tarde
so há:
o silêncio
poema 'a estrela da tarde' de orides fontela
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sobre: poemas escolhidos
26.12.09
11.12.09
9.12.09
12.11.09
20.10.09
9.10.09
7.10.09
silenciosos, os feiticeiros das metrópoles semeiam impaciência e angústia com as suas mãos secam os poços, às vezes, nublam a visão do condutor ou atiram veneno nos vasos do terraço de noite roubam o sonho das crianças e, aos seres abraçados toda sensação, todo desejo de se dar
ontem puseram uma soga no vizinho, privaram a mulher da vontade
a cor das flores, a fragrância dos cabelos
impuseram dores terríveis nas cabeças, o medo no peito
cabisbaixo, inclino-me ante os ídolos
a sua raiva é afiada, sua sede incomensurável
e o sangue não coagula, cada súplica anula-se
os lábios temerosos repetem frases insensatas
as mãos repetem gestos mecânicos
os feiticeiros traçam figuras ocas
cortam raízes, num instante de lassidão
esgotam-nos até à última gota.
poema do poeta esloveno Brane Mozedic
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sobre: poemas escolhidos
6.9.09
26.8.09
23.8.09
se acaso uma alma se fotografasse
de modo que nos mesmos negativos
a mesma luz pusesse traços vivos
o nosso coração e nossa face;
e os nossos ideais, e os mais cativos
de nossos sonhos...
se a emoção que nasce
em nós, também nas chapas se gravasse
mesmo em ligeiros traços fugitivos
poeta! tuterias com certeza
a mais completa e insólita surpresa
notando, deste grupo bem no meio
que o mais belo, o mais forte e o mais ardente
desses sujeitos, é precisamente
o mais triste, o mais pálido e o mais feio
se acaso uma alma se fotografasse, euclides da cunha
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sobre: poemas escolhidos
19.8.09
8.8.09
Recursos da autodestruição
Nascidos em uma prisão, com fardos sobre nossos ombros e nossos pensamentos, não poderíamos alcançar o termo de um só dia se a possibilidade de acabar não nos incitasse a recomeçar o dia seguinte... Os grilhões e o ar irrespirável deste mundo roubam-nos tudo, salvo a liberdade de matar-nos; e esta liberdade nos insufla uma força e um orgulho tais que triumfam sobre os pesos que nos esmagam.
Poder dispor absolutamente de si mesmo e recusar-se: existe dom mais misterioso? A consolação pelo suicídio possível amplia infinitamente esta morada onde sufocamos. A ideia de nos destruir, a multiplicidade de meios para consegui-lo, sua facilidadee e proximidade nos alegram e nos assustam: pois não há nada mais simples e mais terrível do que o ato pelo qual decidimos irrevogavelmente sobre nós mesmos, Em um só instante, suprimimos todos os instantes; nem o próprio Deus saberia fazer igual. Mas, demônios fanfarrões, adiamos nosso fim: como renunciaríamos ao desdobramento de nossa liberdade, ao jogo de nossa soberba?...
Quem jamais concebeu sua própria anulação, quem não presentiu o recurso à corda, à bala, ao veneno ou ao mar, é um condenado abjeto ou um verme rastejante sobre a carcaça cósmica.
Se as religiões nos proibam morrer pr nossa própria mão, é porque viam nisso um exemplo de insubmissão que humilhava os templos e os deuses. Certo consílio de Orléans considerava o suicídio como um pecado mais grave que o homicídio, porque o assasaino sempre pode se arrepender, salvar-se, enquanto que aquele que tirou a própria vida transpõe os limites da salvação. Mas o ato de se matar não parte de uma formula radical de salvação? E o nada vale tanto quanto a eternidade? Só o existente não tem necessidade de fazer guerra ao universo: é a si mesmo que envia o ultimato. Já não aspira a ser para sempre, se um ato incomparável foi absolutamente ele mesmo. Recusa o céu e a terra como recusa-se a si mesmo. Ao menos, terá alcançado uma plenitude de liberdade inacessível ao que busca indefinidamente no futuro...
Nenhuma igreja, nenhuma instituição inventou até o presente um só argumento válido contra o suicídio. A quem não pode mais suportar a vida, o que responder? Ninguém está à altura de tomar sobre si os fardos do outro. E que força dispõe a dialética contra o assalto dos desgostos irrefutáveis e de mil evidências inconsoladas? O suicídio é um dos sinais dinstintivos do homem, uma de suas descobertas: nenhum animal é capaz dele e os anjos apenas o advinharam; sem ele, a realidade humana seria menos curiosa e menos pitoresca: faltar-lhe-ia um clima estranho e uma série de possibilidades funestas, que têm seu valor estético, mesmo que só fosse por introduzir na tragédia soluções novas e uma variedade de desenlaces.
Os sábios antigos, que se matavam como prova de sua maturidade, haviam criado uma disciplina do suicídio que os modernos desaprenderan. Condenados a uma agonia sem gênio, não somos nem autores de nossos últimos instantes, nem árbitros de nossos adeuses; o final não é nosso final: a excelência de uma iniciativa única - pela qual resgataríamos uma vida insípida e sem talento - nos falta, como nos falta o cinismo sublime, o fausto antigo da arte de perecer. Rotineiros do desepero, cadáveres que se aceitam, todos nós sobrevivemos e morremos apenas para cumprir uma formalidade inútil. É como se nossa vida só se preocupasse em adiar o momento em que poderíamos nos livrar dela.
retirado do livro 'Breviário de Decomposição', Cioran
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22.7.09
19.7.09
funcional (?)
o ônibus está a alguns minutos atrasado , disse minha mãe impaciente
olhando para meus olhos enormes reconhecendo-se um pouco, talvez.
estávamos os dois muito bonitos naquele 3 de Março à espera da linha Vila Operária.
quando entramos lá dentro estava cheio de gente e por isso permanecemos de pé, eu segurando em sua calça marrom e ela em um cano cinza pregado ao teto
descemos e atravessamos a rua, parando frente à um portãozão verde com quatro letras enormes - que descobri naquele mesmo dia serem um L, um B e um V - e o lugar estava cheio de crianças como eu e mulheres como minha mãe.
ela estava carinhosa. me abraçou e disse que à partir daquele momento seriam assim os nossos dias, eu ficando ali com aquelas senhoras e ela (também) trabalhando por nossas vidas. protestei um pouco e ela explicou-me que ainda era novo para compreender que é assim mesmo que o mundo funciona, que nessa idade (uns três) à gente que é pequeno devora tudo o que nos é falado e por isso ficamos ali naquele lugar - chamado creche.
lembro ainda que eu gritei a ela "não mãe, não quero engolir palavras"
que ela riu da minha meninisse e depois me entregou à dona maria - já acostumada àquele tipo de protesto - e que foram realmente assim os nossos dias.
pra sorte das creches ou ( infelicidade ) nossa demora até percebermos o que é viver.
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sobre: contos curtos
18.7.09
14.7.09
deixa o menino brincar!
assisti na casa da Camila em um telejornal da região que em Sarandi (Paraná) policiais "confiscaram" três pipas de três garotinhos, segundo eles "as crianças correm de um lado a outro da pista olhando para o céu ao atravessar a rodovia, o que pode causar um ENGAVETAMENTO, visto que já há na pista marcas bruscas de freadas". cê acredita?
ora, se não houvessem pistas e muito menos carros, todas as crianças do mundo poderiam brincar e olhar pro céu à vontade nas ruas das cidades que, antes da criação do automóvel eram planejadas de modo que as pessoas pudessem desfrutar mais de suas ruas e de seus espaços urbanos públicos - que estão sendo transformandos em estaciomentos, espaços mortos úteis apenas para guardar carros.
o trecho à seguir foi retirado do livro "Apocalipse Motorizado - A tirania do automóvel em um planeta poluído" da editora Conrrade - dentro da coleção Baderna - para todos os motoristas.
Caros Motoristas
O absurdo de tudo isso
estão por aí esses grandes pedaços de metal arremessando-se em alta velocidade sobre áresas residenciais. eles são tamanha ameaça à vida e à saúde que cada viagem feita através de qualquer outro meio é gasta, sobretudo, se esquivando desses objetos monstruosos. eles são simplestemente a maior causa da poluição atmosférica e do aquecimento global. formam também o maior mercado da insdustria de petróleo, que fomenta tantas guerras. seu barulho é o barulho da cidade. esses carros são tão centrais à organização desta sociedade, especialmente à organização do trabalho, que uma ilusão tem de ser mantida de modo que ninguém veja nada de errado com o número sempre crescente de carros. proteger-se deles tornou-se nossa responsabilidade como pedestres. nós é que temos de parar, olhar e escutar. segurança nas ruas é primeiríssima coisa que é ensinada às crianças.
presume-se que todos nós identificamos nossos próprios interesses com aquele da economia, isto é, o crescimento econômico. um dos indicadores principais do crescimento econômico é o crescimento na venda de carros. os apresentadores de telejornais anunciam uma queda nas vendas de carros com o mesmo tom sóbrio de voz usado para apresentar estatísticas de desemprego ou ataques terroristas. os anúncios, a mídia e o próprio traçado das nossas cidades, tudo afirma que aquilo que é conveniente para você motorista é conveniente para todos. e isso é apenas parte de um pressuposto maior, que consite em achar que todos vivem em unidades familiares feitas sob medidas do carro e que todos querem chegar ao seu destino o mais rapidamente possível.
na verdade, muitas pessoas veem algo errado nisso tudo. mas a maioria delas não é motorista. as pessoas que estão fora do difundido privilégio de possuir um carro geralmente estão dentro de um ônibus ou balançando os braços impotentemente em faixas de pedestres. mais alguns vão mais longe...
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10.7.09
9.7.09
repercussão
tudo o que passou
será somente o passado
atado nos sentidos como uma música circular
curta ou comprida
mas antes de tudo
vivida
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sobre: poemas
8.7.09
6.7.09
3.6.09
felicidade, deves ser bem infeliz
andas sempre tão sozinha
nunca perto de ninguém
felicidade, vamos fazer um trato
mande ao menos teu retrato
pra que eu veja como és
esteja bem certa porém
que o destino bem cedo fará
com que teu rosto
eu vá esquecer
felicidade não chore
que às vezes é bom
a gente sofrer
música 'felicidade infeliz, maysa
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sobre: música
26.5.09
Ah, que você escape no instante
em que tenha alcançado sua melhor definição.
Ah, minha amiga, não queira acreditar
nas perguntas dessa estrela recém-cortada,
que vai molhando suas pontas em outra estrela inimiga.
Ah, se fosse certo que, à hora do banho,
quando, em uma mesma água discursiva,
se banham a imóvel paisagem e os animais mais finos:
antílopes, serpentes de passos breves, de passos evaporados,
parecem entre sonhos, sem ânsias levantaros mais extensos cabelos e a água mais recordada.
Ah, minha amiga, se no puro mármore das despedidas
tivesses deixado a estátua que poderia nos acompanhar,
pois o vento, o vento gracioso,
se extende como um gato para deixar-se definir.
Ah, que você escape, do poeta cubano José Lezama Lima
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sobre: poemas escolhidos
29.4.09
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sobre: fotografia
24.4.09
alter ego
como um imã sou atraído por sua carne fremente
onde roço meus dedos negros
em sua pele negra
e sinto tua língua abrindo minha boca cansada
depois nos despedimos
e continuamos assim
a caminhada
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sobre: poemas
23.4.09
terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida —
careca como uma lâmpada
barrigudo
grisalho
e feliz por ter um quarto
... de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros
encanadores, médicos
jornaleiros, guardas
barbeiros, lavadores de carros
dentistas, floristas
garçonetes, cozinheiros
motoristas de taxi...
e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não direto nos olhos.
poema nos meus 43 anos, do bukowski
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sobre: poemas escolhidos
7.4.09
2.4.09
maria se cansou
vi esses dias a viva, morta ou simplesmente suspeita maria dentro de um ônibus, estávamos nós quatro, ela e uma outra garota, o motorista e eu, que estava sentado lá no fundo quando elas entraram um pouco molhadas ... tá prestando atenção?
'tô prestando, cara, continua.
ela e a outra menina sentaram-se em um banco duplo e no inicio se mantiveram caladas, estava chovendo um pouco e maria olhava para fora com o olhar meio perdido, parecia mesmo era que ela não via nada - além de tudo o que já havia visto. depois ficou olhando por um tempo a amiga, que estava concentrada lendo uma revista ou alguma coisa do tipo que não pude ver ao certo pois via apenas suas nucas e os seus perfis quando se viravam uma para a outra. o cabelo das duas estavam presos para cima, tipo coquedebanana, fraga?
sim, e daí?
daí que maria começou a falar pra outra de sua família, ao que parece o pai dela é um daqueles escrotões que batem em 'suas' mulheres, querem sempre suas cuecas limpas e passadinhas (e ainda são bem frescos), almoço pronto quando chegam, essas coisas. e ... só perdem tempo com futebol e gostam de conquistar mulheres para exercitarem sua masculinidade, maria disse ainda que ele bate muito na mãe e que desta última vez ela foi parar no hospital e tudo. maria não pôde fazer nada para ajudá-la, ela tentou, bem que tentou, disse, mas o cretino deu-lhe uma bofetada que jogou-a longe, a assustando de vez
que horror, e a mãe dela não vai na delegacia, essas coisas?
ao que parece não... quando ficaram quietas novamente e estava parando de chover, parecia que as janelas do ônibus choravam, todas elas, maria deve ter notado também. logo voltaram a falar, maria disse que era tão esquisito isso, sua mãe uma mulher tranquila, educada, cuidadosa, dona da casa e o seu pai assim, metido a valentão, agressivo, dono do mundo, dono da mãe, do cachorro, dela própia, do controle da tevê e da bicicleta. maria não gostava de sua mãe assim tão submissa e disse também que não saberia dizer se sua mãe seria uma mulher realmente se não estivesse casada com aquele traste que era o pai, uma pena mesmo disse ela, mas a mãe não discutia, apenas apanhava e apanhava, pedia tranquilamente para que maria fosse brincar na vizinha, o que era o cúmulo para ela. por que o mundo é tão violento? perguntou ela pra amiga, que abriu a boca pela primeira vez dizendo 'porque somos homens', e maria disse a ela que não queria ser mais homem. depois disso elas puxaram a cordinha e desceram em uma rua perto do centro.
escuta, acabei de lembrar, sabe o carinha metido a valente que ela namorava?
pobre maria, rodeada de escrotos. quê que tem ele?
então, você nem imagina que maravilha, ela deu um soco no saco dele - parte tão adorada de seu corpo
sério? mas nesse mesmo dia do ônibos ela disse que não gostava dessa postura autoritária, violenta e...
não, não é isso, o caso é que ela o trocou por uma mina!
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sobre: contos curtos
1.4.09
30.3.09
carol
ao adentrar o enorme barracão onde estudo vi em uma das também enormes mesas um rapaz, não sei mas algo me chamou a atenção em seus movimentos. conversava calmamente. sentei o mais próximo possível.
não partiu de mim o segundo contato, fiquei calado até que puxasse alguma conversa.
perguntou-me acerca do livro que eu estava lendo 'diário de um ladrão'¹ e fui lhe contando o que se passara no livro até onde eu havia lido.
súbito disse-me que havia sido preso várias vezes, que vendera diversas drogas e que havia perdido sua mão esquerda em um acidente de trabalho. disse-lhe que se saía muito bem com a que lhe sobrava, ele lia um trecho qualquer do livro de genet. era um capeta, um belo capeta; seus olhos eram redondos e escuros, o cabelo, liso e rente a cabeça, seus braços saiam de seus ombros e chegavam ao sexo.
espanha, genet, marginais, brasil, eu, ele, todos os marginais da terra, calculistas e adoráveis; encontrei ali meu Stilitano**, foi o que pensei depois quando nos separamos na bifurcação que liga a rua a à b e c.
contei-lhe de meus pequenos furtos bem sucedidos e ele dos dele, rimos de algumas trapalhadas e das pequenas coisas que não resistíamos à marcação de algum atendente, de postos principalmente.
a professora lhe chamou a atenção, notava-se em seu olhar uma certa ternura pelo garoto, que a bajulava e a bajulava com razão. ela estava ótima, um par de saltinhos rosa claro, vestido amarelo, cabelo desgrenhado pelo ventilador que a cada trinta ou quarenta segundos girava, e o vento que emanava de suas hélices pareciam refrescar toda a gente ao tocar o rosto limpo da mulher de trinta e sete anos (no máximo!).
de repente ele deixou o livro sobre a mesa e foi sentar-se no outro canto da sala em frente a uma garota de batom vermelho fortíssimo e com uma carinha virginal.
lia-se malícia no seus olhos redondos e negros, em sua boca bem servida (sabe-se lá por quem), nariz, orelha, pau e cu (bem servidos também, graças ao jeans, talvez) ao conversar com a tal moça, cujo nome gracioso, divino e tudo o mais era maria, como me disse ele no caminho de volta em uma rua um pouco escura graças as àrvores que se tocam de um lado a outro e que quando venta fazem um som refrescante (podemos senti-lo naquela noite de outono).
ao mesmo tempo que atentava a pobre maria (que estava ficando ligeiramente excitada, ao que me pareceu pelo menos ao encarar seus seios, já que o rosto nada dizia além de algumas palavras friamente controladas), ele me lançava olhares cúmplices de macho em sua conquista arremessando sua presa de um lado a outro com seus enormes dentes e patas e tudo por pura distração (que eu devolvia com um de 'deixa de conversa mole, luzia'²).
dado a hora do intervalo, saí, entediado para o pátio e pedi um cigarro a uma pessoa que por ali fumava, depois fui sentar em um canto e vi ele passando pelo corredor que desagua no pátio e entrando por outro, nesse meiotempo me lançou um olhar rápido, apareceu depois com um cigarro na mão (direita) e sentou-se do meu lado, falando.
não pude deixar não escapar um certo sorrisinho de satisfação, faltavam mais algumas horas para o horário de irmos embora e uma trepada era quase garantida, se eu chamasse pelo animal escondendo as mãos para não assustá-lo.
voltamos a sala juntos, rindo de uma besteira dita por cara bem idiota que consideramos como um idiota talvez ao mesmo tempo (em pensamento), depois conversamos sobre os poemas que uma garota declamou, ana cristina césar, adélia, chacal e um outro. faltou um da hilda, ele disse e eu quase dei um salto (talvez eu tenha dado), faltou, faltou um da hilda, eu disse encarando-o.
contei pra ele um conto que eu havia lido e que era parte de um romance; lisa³ era o nome desse conto.
fulano era um cara que saiu do campo e foi para o tormento da cidade e no hotel em qual morava, morava uma macaquinha, a lisa, que um belo dia ele surpreendeu masturbando seu velho dono. depois disso abandonou o curso de direito e voltou pra roça, sendo considerado por seu severo pai como um tonto.
desgraçera, ele disse, esse pobre rapaz não aguentou a solidão (dos outros) e voltou para casa, ou para as asas que foram logo cortadas, creia.
na saída, ele mexeu novamente com aquela mina, maria. passei ao lado dos dois e comprimentei-os, ele pediu para que eu o esperasse e perguntou qual caminho eu seguiria, disse-lhe que subiria até o fim da rua, e depois pegaria a rua a.
andamos e conversamos sobre outros contos de hilda, caio fernando, dalton trevisan (que o safado adorava), autores gringos, os beats e tudo o mais, falei que não conseguia dormir já fazia dias e ao chegar na bifurcação nos despedimos com um longo abraço, não trocamos nomes nem nada, mas eu sabia o seu graças a maria que pediu para que a deixasse em paz, não era stilitano como eu o nominava em nossa supertrepada imaginária e sim carol. entrei na rua a deixando para trás as ruas b e c, carol e as àrvores da rua c que ao ventar fazem um som gostoso de se ouvir. o dia seguinte veio enquanto eu dormia.
¹ romance de jean genet
² frase de uma música de itamar assumpção, luzia
³ conto dentro de um romance da hilda hilst, contos d'escarnio textos grotescos
**um cara do livro de genet que (também) tinha uma de suas mãos amputadas
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sobre: contos curtos
27.3.09
recluso
deito em minha cama ereto
à vontade olho para o teto
e da janela entram uns sons:
músicas fora do tom
um tormento
fora de casa é sempre maior qualquer sofrimento
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sobre: poemas
16.2.09
à margem dos instantes
as horas sem horários de partida
sem pulsos, relógios
nem nada lhes dando vida
para matar o tempo
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sobre: poemas
9.2.09
não preciso dormir com minhas pernas entre
- laçadas com o sol para saber que amanhece
tãopouco careço do frio para sentir que meu corpo
vezenquando extremece
desvio de verdades como meus olhos das vírgulas de uma frase
advinhando o ponto final
arde-me o olho as manhãs bem resolvidas e creio eu ser um longo canal cercado por concreto
enquanto todos os meus sentimentos são abstratos.
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sobre: poemas
Comemora-se hoje o centenário da sambista Maria do Carmo ou Carmem Miranda para nós seus íntimos.
O samba, que era feito por minorias não tinha espaço no cenário musical brasileiro e foi Carmem quem o retirou glorioso de sua raiz e o revelou ao brasil e posteriormente à gringa.
Tem gravado 286 músicas dentre elas sambas e algumas marchinhas, que também foi ela quem as apresentou aos ouvidos brasileiros e americanos.Carmem vendeu nosso samba, baianas e bananas. nos dias de hoje poderiamos dizer que Carmem era nacionalista, mas não na época em que vivia, pois ela promovia a diversidade cultural, sendo chamada até de dadaísta por alguns.
Carmem nasceu em Portugal só que com swing.
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sobre: música
14.1.09
mulher que mata homens durante o sexo para gozar e homem que se masturba vendo mulheres sendo torturadas pela tevê
o filme gira em torno de três principais personagens: angel, um rapaz inocente e virgem que diz à mãe que vai à academia mas vai fazer aulas de tauromaquia.
a advogada, maría cardenal que sai de casa para atrair a atenção e trepar com homens que encontra pela rua e para gozar ela os mata e depois de tê-los matado continua em seu sexo-solo se tocando.
e diego montes, um toureito aposentado e frustrado por não poder mais matar.
no elenco nacho martínezo, antônio banderas, assumpta serna, carmem maura e eva cobo
os mesmos atores de sempre
o filme é de 1986.
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sobre: cinema
13.1.09
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sobre: cinema
3.1.09
toque de recolher
o sol se disfarça ao anoitecer
sapos, grilos e alguns homens desabrigados sentem a chuva que vem
para os umidecer
gotas pesam em seus corpos como os pés dos homens que os pisam
sem noção de espaço
tudo-bem-amanhece
o sol vira sol
pessoas se transformam em carros rancorosos
e o sapo, o grilo, o homem e todos os outros desabrigados
em silenciosos
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sobre: poemas
24.12.08
papa eu vou comer o seu edi!
"Papa compara gays ao desmatamento
Uma declaração feita pelo papa Bento XVI no Vaticano causou polêmica ontem em todo o mundo. O pontífice disse que “salvar” a humanidade do comportamento homossexual ou transexual é tão importante quanto salvar as florestas do desmatamento.– As florestas tropicais merecem nossa proteção. E os homens, como criaturas, não merecem nada menos do que isso – afirmou Bento XVI em seu discurso na Cúria, a administração central do Vaticano.A Igreja Católica prega que, embora a homossexualidade não seja um pecado, os atos sexuais o são. Ela se opõe ao casamento gay – em outubro, uma importante autoridade do Vaticano chamou a homossexualidade de “desvio, irregularidade e ferida”.– A Igreja também deve proteger o homem da destruição de si mesmo. Um tipo de ecologia humana é necessária – reforçou o Papa, dizendo que a humanidade precisa “ouvir a linguagem da criação” para entender os papéis de homens e mulheres."
notícia extraída do jornal zero hora
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17.12.08
14.12.08
no carnaval usual
que são os dias
visto trajes que vejo e sinto:
nós
sambando desamores
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sobre: poemas
12.12.08
10.12.08
a imprecadora
sou puta , sim, puta e anti-social
mas chupo o dedo sem unha
com boca de pelúcia
podem vir, que venham
todos os síndicos e o padre viado
fabricante de mendingos
o importador de anões
podem vir a negranhada
os homens-fêmeas
a indiarada os baianos
judeus nordestinos
o lixo a bosta o esgoto
passaram antraz na minha boca
na minha gengiva
torturam meu rosto
minha arcada dentária
seios nádegas olhos nariz
queixo pescoço garganta
cérebro ânus vagina
comeram toda a carne do meu corpo
vodu na boca lábios gengivas
enfia o farol na buceta
da puta-mãe de vocês no cu da puta-vaca
da tua mãe-esgoto
sou eu aqui
dormindo na rua
saia verde camisa preta
todos precisam de mim
verdade
esta dor é aguda
piora com o calor
a luz os movimentos
da primeira vez
era gastura de lágrimas
uma chuva muito quente
peço uma ajuda porque
preciso morar na pensão
pra cozinhar arroz
feijão ovo salsicha
e não beber
àgua quente da torneira
já trabalhei em lotérica
supermercado lanchonete
fui faxineiro
ajudante de pintor
vendi picolé vendi pão
cada esquina cada noite
o diabo me segue com voz de mel
se a dor vem
fico frouxo
entrego o corpo
(na rua é mais perigoso)
por isso peço
a sua ajuda:
eu falo a verdade.
do Fabio Weintraub
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sobre: poemas escolhidos
9.12.08
dois mil peles-vermelhas
para eles
o tempo existe em estado abolido
dois mil peles-vermelhas se abaixam na planície
felizes de sua ventura
preludiam as sublimidades de suas danças
eles tragam os dias
tumultuam as noites
dois mil peles-vermelhas e lúcidos
se preparam para fazer rir a chuva
suas terras enrugadas pelo desejo e pela fome
fazem bater seus tambores a sons plenos
sons
plenos
dois mil peles-vermelhas amorosos
se preparam para misturar seu sangue inquieto
ao leite sombrio de suas mulheres muito calmas
ao mel ridente de suas belas crianças
crianças do século
onde estão vossos tridentes
dois mil peles-vermelhas
pálidos mas sólidos
deixam as famílias para morrerem à parte
dez mil peles-vermelhas
o sangue em fogo
sua vida ainda está lá
em busca de demônios
maximillien ernst retirado do blog surrealismo do acaso
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sobre: poemas escolhidos
a vida
se mais uma criança apareceu.
se pra felicidade alguém nasceu.
eu sinto que a vida está mentindo,
pois nunca vi ninguém nascer sorrindo
aqueles que nascem porque é preciso
trazem uma lágrima em vez de um sorriso.
se viver é bom como é que a vida diz: "tens que sofrer pra ser feliz"
samba do guilherme de brito e do nelson cavaquinho
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sobre: música
8.12.08
a sorte,
ferrugem na existência-sofrimento
vem para nos absorver violenta
-
mente em uma louca e lúdica viagem
sem aparente combustão
sem pagar passagem
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sobre: poemas
5.12.08
impossibilidades
o céu emana calor
do branco brando da cor
tudo bem vá, não quero falar só de amor
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sobre: poemas
4.12.08
recibo
tu es -
corre
dos meus olhos
rio vermelho
des
ce - todo
nos meus olhos
ou corre, vai.
lê sandra guarato
linkada ->
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sobre: poemas escolhidos
24.11.08
o pai, a mãe, o filho, a filha
o pai se pendeu
em lugar da pêndula.
a mãe está muda.
a filha está muda.
o filho está mudo.
todos os três seguem
o tiquetaque do pai.
a mãe é de ar.
o pai voa através da mãe.
o filho é um dos corvos
da praça de São Marcos de Veneza.
a filha é um pombo-correio.
a filha é doce.
o pai come a filha.
a mãe corta o pai em dois
come-lhe uma metade
e oferece a outra ao filho.
o filho é uma vírgula.
a filha não tem cauda nem cabeça.
a mãe é um ovo galado.
da boca do pai
pendem caudas de palavras.
a filha é uma pá quebrada.
o pai é pois forçado
a lavrar a terra
com sua longa língua.
a mãe segue o exemplo de Cristóvão Colombo.
anda sobre suas mãos nuas
e agarra com seus pés nus
um ovo de ar após o outro.
a filha remenda o desgaste de um eco.
a mãe é um céu cinza
em que se arrasta embaixo bem embaixo
um pai de papel mata-borrão
coberto de manchas de tinta.
o filho é uma núvem.
quando chora chove.
a filha é uma lágrima imberbe.
poema de hans arp retirado do blog surrealismo do acaso que retirou de
'os arcanos da poesia surrealista - seleção de josé pierre e jean schuster com tradução de antônio houaiss. editora brasiliense.
linkado ->
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sobre: poemas escolhidos
e por aí vão eles depredando o orelhão, recomendo umas olhadas.
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sobre: música
21.11.08
Ao acordar confuso
um pouco tonto vou colocando tudo 'em seu lugar
não sei mas creio ter decorado cada nome
que pousa sobre coisas
levo a mão ao rosto depois caminho pela casa com os pés nus
acendo um cigarro com tragadas fortes
ouço a agulha deslizando no disco, carros e alguns gritos
e a esta altura do meu despertar distingo coisas que até eu ter estes costumes
lavar os dentes, lavar o corpo, calçar calçados,
olhar relógios, pensar nos trocos
todos eles já me vinham sendo preparados para que eu não acordasse confuso jamais
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sobre: poemas
18.11.08
as paredes brancas daqui giram,
creio girá-las mas estou tão acostumado a vê-las imóveis que
não há movimento.
reconheço alguns insetos da casa
tento nominá-los mas já perdi vários deles e quase não me sobram nomes graças à lagartixa e às aranhas. estas últimas já não me enganam com essa de ficarem nos cantos e serem um pouco silenciosas
já levaram tantos insetos que imagino ainda levar tempo encarás-las como companhia.
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sobre: poemas
12.11.08
'carminada é a noite que abro
com dedos calmos, dedos mínimos
entre o risório e os lábios
alguma coisa abre caminho
e sim, é estelar este hilo
e sim, vem sol nos cílios
até tem som, o sorriso.'
poema de rodrigo césar carreira
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sobre: poemas escolhidos
Vilma Santos tem 59 anos e a 40 vem cantando em português e nagô, se dedicando ao candomblé associados à divulgação da cultura popular e militância no movimento negro. Ela é conhecida em Londrina também como divulgadora do samba de roda - que já mostrou em apresentações e oficinas. Dona Vilma se apresenta nesta sexta (14) e sábado (15) na Vila Cultural Cemitério de Automóveis com o show “Vilma de Todos os Santos”. No repertório, Pixinguinha, Dorival Caymmi, Noel Rosa, Lupcínio Rodrigues, João da Baiana, Ary barroso, Silas de Oliveira, João Bosco, Rosinha de Valença, Wilson Batista, Nelson Pascoal e Domínio Público. Dona Vilma estará acompanhada dos músicos Marco Scolari (acordeão e violão); Bernardo Pellegrini (violão); Ricardo Penha (baixo); Marcelo Siqueira, Vlad e Vítor Jubiabá dos Santos (percussão).
Ingressos antecipadamente na Loja Ciranda (Rua Jorge Velho, 295); Empadaria Nacional (Rua Euclides da Cunha, 42, próximo ao Mercadão do Shangrilá) e na Escola Municipal de Teatro (Rua Acre, 315) ou no local.
Reapresentações na Concha Acústica (dia 21, às 18h30); Teatro Zaqueu de Melo (dia 23, às 21 horas); e no Calçadão (dia 29, às 10h30) em Londrina - Pr.
o grinaldo me falou sobre e também me sedeu a informação.
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sobre: música
6.11.08
uma boa para este sábado, dia oito de novembro, cervejada na vila santo antônio.
com babulina, um grupo de choro, os trutas do maracatrutas e uma banda de forró.
os ingressos subiram, agora estão quinze para mulheres e vinte para os homens.
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satie, gymnopedie n° 3. chuva a manhã inteira e céu rosado no final da tarde.
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sobre: música
décimo sexto festival mix brasil de cinema e vídeo da diversidade sexual
o mix brasil chega a sua décima sexta edição com duzentos filmes, sendo cinquenta e um deles nacionais.
o festival acontecerá em são paulo de doze à vinte e três de novembro, no rio de vinte e sete à quatro de dezembro, em brasília de quatro à onze de dzembro e em belo horizonte de oito à quatorze de dezembro.
e ainda tem o mix brasil musical
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28.10.08
vinte e cinco anos da morte de ana cristina césar
poeta marginal da década de 70 juntamente com chacal, roberto piva, glauco matoso, frança e outros que no recuerdo. ela suicidou-se no dia 29 de outubro de oitenta e três, a vinte e cinco anos atrás. postarei agora três poemas dela:
noite carioca
diálogo de surdos, não: amistoso no frio. atravanco na contramão. suspiros no contrafluxo. te apresento a mulher mais discreta do mundo: essa que não tem nenhum segredo.
encontro de assombrar na catedral
frente a frente, derramando enfim todas as palavras, dizemos, com os olhos, do silêncio que não é mudez. e não toma medo desta alta compadecida passional, desta crueldade intensa que te toma as duas mãos.
mocidade independente
pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem medir mais as conseqüências. por que recusamos ser proféticas? e que dialeto é esse para a pequena audiência de serão? voei pra cima: é agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem uma graça atravessando o Estado de São Paulo, de madrugada, por você, e furiosa: é agora, nesta contramão.
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24.9.08
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sobre: cinema
22.9.08
Lisa
a pensão na cidade grande era miserável. o nome pomposo: pensão palácio. eu cursava o segundo ano da faculdade de direito. meu pai era capataz numa fazenda e suas economias me foram entregues para que eu pudesse completar os estudos. desde criança eu o ouvia dizer: quero que o menino olhe o mundo por um buraco diferente daquele que eu olhei. eu nunca entendia se o mundo é que seria diferente ou se o buraco seria outro ou se o mundo seria novo olhando por um diferente buraco. a frase era complexa e ambígua demais para mim, tão criancinha. bem. a pensão tinha poucos hóspedes e todos me pareciam tristes. ou era só impressão? um deles me fascinava. baixo, magro, os olhos claros sob óculos de aro fininho, o cabelo carapinhado e loiro. fascinava por quê? alguma coisa infantil desesperada imanava do homem. ele era dono de uma pequena e dócil macaca: lisa. parecia gostar muito do animalzinho. uma vez ouvi-o contar à dona da pensão que um bando de moleques capturou a macaca e queria matá-la para comer. ele deu um bom dinheiro para os meninos e salvou a bichinha. durante o dia lisa ficava no modesto quintal astrás da casa, na goiabeira. à tarde ficava inquieta e lá pelas cinco horas ia postar-se junto à porta de seu dono. todo mundo sabia que eram cinco horas e que o homem não deveria tardar. ele chegava, ela subia-lhe pelas pernas, alcançava os ombros, dava gritinhos, coçava-lhe a carapinha loira. uma noite ouvi gemidos no corredor dos quartos e fiquei curioso. entre o meu quarto e o do homem havia um cômodo vazio onde a dona da pensão guardava coisa velhas, tampos de mármore rachado, um grande relógio muito estreito e alto, geringonças. a mulher abriu o quarto uma única vez à minha chegada "para que você não pense que há algum namorado meu escondido aí", ela dizia às gargalhadas. a porta do quarto vivia trancada, ninguém se interessava pelos badulaques empilhados ali. no dia seguinte aos estranhos gemidos, comprei uma chave de fenda e alguns dias mais tarde, ouvindo-os novamente, concluí que vinham do quarto do homem e com muita cautela abri a porta do quarto de guardados, excitado na bestagem dos meus dezenove anos. uma luz azulada entrava pelas frestas da outra porta co9ntígua ao quarto do homem. então vi: o homemnu, deitado, e lisa acariciando-lhe o sexo com as mãozinhas escuras, delicadas. entre pequenos gemidos e fracos soluços o homem dizia: "minha amada, minha adorada lisa, temos apenas um ao outro, somos apenas nós dois neste sórdido mundo de agonia e de treva". lisa olhava alternadamente para o rosto e para o sexo do homem. quando enfim ele ejaculou, ela enrodilhou-se lenta aos pés da cama. ele apagou a luz. ouvi-o dizer ainda: "obrigado, amiga". fiquei muito tempo encostado àtras daquela porta. nunca o mundo me pareceu tão triste, tão aterrador, tão sem deus. no dia seguinte escrevi ao meu pai dizendo-lhe que não tinha mais paciencia para os estudos, queria voltar para a roça. estranhou muito. nunca me perguntou coisa alguma, nem eu saberia esplicar-lhe o patético, o dilacerado de tudo aquilo que eu havia visto, nem eu saberia dizer para mim mesmo o porquê de abandonar os estudos. o pai morreu muitos meses depois. ouvi-o dizer à mãe antes do para sempre morto: "presta atenção no rapaz, não é mais o mesmo".
ele estava certo. nunca mais fui o mesmo.
retirado do livro contos d'escarnio textos grotescos, hilda hilst.
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sobre: literatura
21.9.08
de frente para trás
passou a admitir o ritmo; sua vida ao avesso.
passou a sentir suas displicências,
sua ignorância.
depois de velho (vinte e tantos)
calou-se.
todos os momentos se tornaram muito voláteis;
pesava-lhe cada lembrança.
(via as pessoas falando e
preferia pensar que todas haviam nascido há pouco tempo)
acreditou a felicidade uma grande bobagem.
morreu feliz.
franklin nunes.
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13.9.08
12.9.08
quarteto de sopros da amazônia, tocando villa-lobos.
hoje no sesc às vinte e trinta horas,
flauta, oboé, clarineta e fagote. e músicos convidados.
sesc maringá, avenida professor lauro eduardo werneck, quinhentos e trinta e um.
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9.9.08
oitavo festival internacional de flautistas e primeiro evento científico da abraf.
começa nesta terça, às oito e meia da noite na fundação luzamor (o festival).
mais de duzentos flautistas irão apresentar-se no auditório entre nove e quatorze de setembro.
a abertura será seguida do recital, com o suiço michel bellavance, rogério wolf, josé ananias e sérgio morais.
abraf e uem.
+
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7.9.08
se te pareço noturna e imperfeita
olha-me de novo.
porque esta noite
olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
e era como se a água
desejasse escapar de sua casa que é o rio
e deslizando apenas, nem tocar a margem.
te olhei. e há tanto tempo
entendo que sou terra.
há tanto tempo
espero
que o teu corpo de água mais fraterno
se estenda sobre o meu.
pastor e nauta
olha-me de novo. com menos altivez.
e mais atento
hilda hilst, dez chamamentos ao amigo.
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sobre: poemas escolhidos
6.9.08
o que é insano e o que é razão?
quem é deus nesse mundo tão cruel e hipócrita?
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sobre: cinema, poemas escolhidos
1.9.08
se eu colocasse o olhar,
pura ave de esquecimento,
percorrendo o exílio
como um grande talento.
o vício embebesse o mistério
no vão desta noite
(pelas trevas ferozes,
nos gestos sonoros do corpo).
com um lirismo carnalmente alquebrado,
incestuoso,
avançaria devorado
contra a muralha do meu assombro.
com inóspito horror brilharia dentro do ventre.
invadiria meu próprio abismo exaltado
e em mim mesmo ficaria acordado,
profundamente.
neste acorde me consumiria
até o último poema.
introspecto, de felipe stefani.
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sobre: poemas escolhidos
29.8.08
28.8.08
“as minhas asas para levantar vôo do ninho paterno foram os folhetos de cordel. e tão bem coladas foram estas asas, que ainda hoje eu continuo voando...”
manoel monteiro.
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sobre: poemas escolhidos
26.8.08
arte brasileira contemporânea
você faz parte, nelson leirner.
eu estava procurando algumas imagens do nelson leirner ( que conheci à pouco no overmundo ), e caí no arte brasileira contemporanea 1960 encontrei e, acabei encontrando vários outros artistas brasileiros dos anos 60, 70, 80, 90 e 2000.
esses blogs sobre arte contemporanea brasileira são do professor e pesquisador de história da arte, paulo trevisan. vá-lá!
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12.8.08
o babulina irá (recebemos o convite, pelo menos) apresentar-se no acampsi, dia 22 de agosto.
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sobre: balada
instruções para dar corda no relógio.
lá no fundo está a morte, mas não tenha medo. segure o relógio com uma mão, pegue com dois dedos o pino da corda, puxe-o suavemente. agora se abre outro prazo, as árvores soltam suas folhas, os barcos correm regata, o tempo como um leque vai se enchendo de si mesmo e dele brotam o ar, as brisas da terra, a sombra de uma mulher, o perfume do pão.
que mais quer, que mais quer? amarre-o depressa a seu pulso, deixe-o bater em liberdade, imite-o anelante. o medo enferruja as âncoras, cada coisa que pôde ser alcançada e foi esquecida começa a corroer as veias do relógio, gangrenando o frio sangue de seus pequenos rubis. e lá no fundo está a morte se não corremos, e chegamos antes e compreendemos que já não tem importância.
preâmbulo às instruções para dar corda no relógio.
pense nisto: quando dão a você de presente um relógio estão dando um pequeno inferno enfeitado, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. não dão somente o relógio, muitas felicidades e esperamos que dure porque é de boa marca, suíço com âncora de rubis; não dão de presente somente esse miúdo quebra pedras que você atará ao pulso e levará a passear. dão a você — eles não sabem, o terrível é que eles não sabem — um novo pedaço frágil e precário de você mesmo, algo que lhe pertence mas não é seu corpo, que deve ser atado a seu corpo com sua correia como um bracinho desesperado pendurado a seu pulso. dão a necessidade de dar corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão a obsessão de olhar a hora certa nas vitrinas das joalherias, na notícia do rádio, no serviço telefônico. Dão o medo de perde-lo, de que seja roubado, de que possa cair no chão e se quebrar. dão sua marca e a certeza de que é uma marca melhor do que as outras, dão o costume de comparar seu relógio aos outros relógios. não dão um relógio, o presente é você, é a você que oferecem para o aniversário do relógio.
cortàzar, histórias de cronópios e de famas.
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sobre: literatura
2.7.08
Os objetos da casa não me dizem nada,
tento convence-los disso.
desisto quando mostram-me suas finalidades.
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sobre: poemas
definição à música de erik satie
a mão desliza pelo rosto, uma pele escura liga-a ao ante-braço. tocou seus braços, pernas e pés, dir-se-ia que aqueles braços não eram seus, muito menos as mãos
desajeitadas.
ouvia a uma peça de satie que entrava pela porta entreaberta do banheiro sem incomodar os anos. notou derrepente que não existia e desejou realmente não ser nada, nem uma música como aquela, que também possui um final e que mesmo assim nunca se acaba.
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4.6.08
Bolaño e os Detetives Selvagens.
O chileno Roberto Bolaño morou um tempão no México, publicou vários livros em poucos anos e morreu em dois mil e três com cinqüenta e cinco anos. Dele conheço (de vista) Os Detetives Selvagens, e estou perto de conhecer o livro de contos Putas Assassinas e um outro romance chamado Noturno do Chile.
los detetives:
Tudo começa com o personagem García Madero, se não fossem as prévias teria acreditado ser ele o principal personagem (até a página cento e quarenta e dois, pelo menos), ele fala de seu dia-a-dia-dia-por-dia, fala de como entrou para o Realismo Visceral, como foi abandonando o curso de Direito e até como foi sua primeira trepada. Conta também suas andanças pela Cidade do México, dos encontros com os real-visceralistas e dos poemas que escrevia, não os lia, mas contava quantos havia escrito naquele dia.
O romance é dividido em três partes, a primeira, Mexicanos Perdidos no México, que é na realidade o diário de García Madero, a segunda e maior parte, Os Detetives Selvagens, conta com mais de cinqüenta depoiimentos de testemunhas que falam, às vezes, sobre si mesmos com histórias intermináveis que aparentemente não tem nada a ver com o "destino" dos poetas Arturo Belano e Ulisses Lima.
O eu-leitor acompanha o trajeto de Lima e Belano atraves dos depoimentos de pessoas que conheceram em suas viagens, de alguns poetas que entrevistaram enquanto investigavam o paradeiro de Cesárea Tinajero (quando não haviam partido para Sonora) ,real-visceralistas e algumas pessoas com a qual se envolveram.
Passam-se anos ( de setenta e quatro a noventa e seis), e é dessa forma que ficamos sabendo do que foi feito do Realismo Visceral e dos real-visceralistas. Foi através de uma ligação que Luís Rosado soube da morte de Pele Divina (e eu, fiquei sabendo ao ler seu depoimento) . Albertito Moore falava com Rosado sobre a noite de cão que teve, e enquanto isso eu já pensava em Pele Divina.
Comecei a ler Os Detetives Selvagens e descobri, de súbito, que o detetive era eu, naverdade.
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sobre: literatura
noite passada eu sonhei que alguém me amava.
Gabriel desinteressava-se fácil de tudo, desistia, deixava que as outras pessoas se saíssem por cima, para lhes massagiar o ego, talvez.
Nenhum homem já o atraía, às vezes trepava com alguns que encontrava em bairros noturnos da cidade.
Acabado o expediente de trabalho voltou para casa caminhando e observando pessoas nas ruas escuras de seu bairro. Parou em uma farmácia para comprar alguns remédios anti-insônia receitados por um cara com quem trepava e que havia acabado de ser formar, este ainda não havia percebido que ao entender uma pessoa ao entrar na realidade dela estaria ele totalmente de acordo com qualquer atitude tomada pela mesma.
Naquela noite para garantir, Gabriel tomou dois comprimidos, acordou às sete e pouco e logo saiu para trabalhar pelas tumultuosas ruas agitadas.
No final da tarde ao voltar para casa, lembrou-se de seu sonho e decidiu ligar para alguém.
— Quanto tempo, pensei em ligar para você e o fiz, disse ele de um orelhão público.
Gabriel contou seu sonho ao insensível amigo de trapadas psicoanalisticas e este se mostou ausente, passados alguns minutos de conversa, que fora terminada com um encontro marcado, desligaram.
Quando chegou em seu pequeno apartamento de um quarto e banheiro, tomou vários remédios, entre eles, um frasco para coração, que já não tinha vontade de continuar a pulsar e um frasco inteiro de comprimidos para dormir.
Olhando-o estirado em sua cama estreita com uma expressão tranquila, depois de ver os vidros de remédios vazios em seu enorme banheiro, pensei em sua vida e na realidade hostíl que o engolia, depois pensei em seu sonho e até então eu não o havia compreendido.
Gabriel sonhou que alguém o amava e a partir daquele momento desejei ser eu com quem ele sonhava.
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sobre: contos curtos
2.6.08
ferrugem
Sou o dia se acabando.
meus cabelos são um bando de garças
magras e brancas
c
a
i
n
d
o
e
r
e
t
a
s
no chão cheias de graça.
as palavras me soam sem sentido,
uma mistura de noise
e sorrizinhos contidos.
o sofrimento está quase acabando e antes que este se acabe
vou fechar os olhos e desaparecer como a bruma noturna
ao amanhecer.
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sobre: poemas
7.5.08
23.4.08
a terra finalmente vai parar de girar em torno do sol
quando nos encontrar-mos em uma madrugada qualquer
vendo ele nascer.
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sobre: poemas
8.3.08
tudo o que eu mais queria: La Vie En Rose — trilha sonora*
o filme é de 2007, do diretor Oliver Dahan.
Conta a biografia intensa de Edith Piaf, com a si belle Marion Cotillard.
* clique na imagem para baixar a trilha sonora do filme; ao finalizar o download, será pedido senha para retirar o arquivo zippado; a senha é: http://tuchinsky.blogspot.com/
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5.3.08
schubert: um cara 'singular' que dormia de óculos, papel e caneta à mão.
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27.2.08
a marvada carne.
a marvada carne conta a história de um homem que tem como sonho comer carne de boi, o Quim
( Adilson Barros ) e também a de uma moça que deseja se casar e que faz de tudo para conseguir conquistar seu marido: a Carula ( Fernanda Torres ); até dizer que seu pai tem um boi, mas que não é um boi comum, e sim o boi barroso, que 'se esbarrancou numas teima' .
O pai da Carula pra dar a mão de sua filha deu ao Quim várias provas para ver se ele estava preparado para casar. O Quim cansado dessas provas, foi bater na janela da Carula a fim de chama-la pra fugir.
Eles foram pra cidade grande, comeram farinha com rapadura e voltaram para ( esqueci o nome de onde ela morava...dãp ). Tiveram dois filhos e posteriormente foram morar na capitar. é isso, claro, contado superficialmente.
do diretor André Klotzel.
participação de Regina Casé como 'mulher diaba'.
o filme é de 1985.
com sorte você encontra este filme em alguma locadora por aí.
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20.2.08
ita e ata, rima barata.
a casa da Camila e do Jean é uma perdição visual, lá da pra passar horas e horas olhando para as paredes, fogão e geladeira. A 'gelosa' tem uma foto tirada pelo Franklin e tem também uma 'paradinha' que a Giulia escreveu:
"Ingrata batata frita que me mata mas antes, excita".
Aí, a gente vai escrevendo lá a partir desta mesma frase. e eu fiz uma pra escrever lá na geladeira que é o seguinte:
"Já nem sei das horas dessa vida.
me perdi no tempo da coca-cola com a batata frita.
uma ingrata nova droga agita: a que também mata, mas não excita".
é isso.
foto: giulia piovezan
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sobre: poemas
13.2.08
tim burton, vincent.
o primeiro stop-motiom do tim burton, que a camila diz que a gente tanto fala. é de oitenta e dois ele.
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sobre: cinema
4.2.08
novo prazer.
fico arrepiado só em senti-lo
quando toca meu rosto
extremeço-me da cabeça aos pés.
admiro as formas que você me aperece,
gosto de você frio.
é belo quando levita tudo o que deseja,
até minhas janelas tremem com a tua presença:
óh, vento ameno da primavera.
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sobre: poemas
30.1.08

por acaso vi umas fotos deste fotografo, roy decarava e gostei:
ele retrata a vida negra americana nas decadas de quarenta e cinquenta.
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sobre: fotografia
18.1.08
existência-sofrimento
sinto-me leve enquanto durmo
quando a realidade não me toca,
nem por qualquer trocado
não posso escolher nada
a fome que dói, o corpo usado
meus sofrimentos do passado
corroem toda e qualquer chance de futuro.
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sobre: poemas
14.1.08
flor amarela
em meio ao vasto branco da neve
permanece intacta.
aquela beleza solitária está exatamente ali parada,
se perdendo a cada brisa que abre caminho louca
e no meio do nada.
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sobre: poemas
5.12.07
28.11.07
sobre o samba: alguns discos do cartola.
1974
1.Disfarça e Chora
2.Sim
3.Corra e Olhe o Céu
4.Acontece
5.Tive Sim
6.O Sol Nascerá
7.Alvorada
8.Festa da Vinda
9.Quem Me Vê Sorrindo
10.Amor Proibido
11.Ordenes e Farei
12.Alegria
1976
1.O Mundo É Um Moinho
2.Minha
3.Sala de Recepção
4.Não Posso Viver Sem Ela
5.Preciso Me Encontrar
6.Peito Vazio
7.Aconteceu
8.As Rosas Não Falam
9.Sei chorar
10.Ensaboa
11.Senhor Tentação
12.Cordas de Aço
Verde que te quero Rosa
1.Verde Que Te Quero Rosa
2.A Canção Que Chegou
3.Autonomia4.Desfigurado
5.Escurinha
6.Tempos Idos
7.Pranto de Poeta
8.Grande Deus
9.Fita Meus Olhos
10.Que é Feito de Você
11.Dessa Vez Eu Vou
12.Nós Dois
Cartola 70 Anos
Para baixar é muito fácil, o link aparecerá em alguns segundos acima de "Add your comment"estará escrito do lado direito: "Download file"
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sobre: música
























