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4.6.08

noite passada eu sonhei que alguém me amava.

Gabriel desinteressava-se fácil de tudo, desistia, deixava que as outras pessoas se saíssem por cima, para lhes massagiar o ego, talvez.
Nenhum homem já o atraía, às vezes trepava com alguns que encontrava em bairros noturnos da cidade.
Acabado o expediente de trabalho voltou para casa caminhando e observando pessoas nas ruas escuras de seu bairro. Parou em uma farmácia para comprar alguns remédios anti-insônia receitados por um cara com quem trepava e que havia acabado de ser formar, este ainda não havia percebido que ao entender uma pessoa ao entrar na realidade dela estaria ele totalmente de acordo com qualquer atitude tomada pela mesma.
Naquela noite para garantir, Gabriel tomou dois comprimidos, acordou às sete e pouco e logo saiu para trabalhar pelas tumultuosas ruas agitadas.
No final da tarde ao voltar para casa, lembrou-se de seu sonho e decidiu ligar para alguém.
— Quanto tempo, pensei em ligar para você e o fiz, disse ele de um orelhão público.
Gabriel contou seu sonho ao insensível amigo de trapadas psicoanalisticas e este se mostou ausente, passados alguns minutos de conversa, que fora terminada com um encontro marcado, desligaram.
Quando chegou em seu pequeno apartamento de um quarto e banheiro, tomou vários remédios, entre eles, um frasco para coração, que já não tinha vontade de continuar a pulsar e um frasco inteiro de comprimidos para dormir.

Olhando-o estirado em sua cama estreita com uma expressão tranquila, depois de ver os vidros de remédios vazios em seu enorme banheiro, pensei em sua vida e na realidade hostíl que o engolia, depois pensei em seu sonho e até então eu não o havia compreendido.
Gabriel sonhou que alguém o amava e a partir daquele momento desejei ser eu com quem ele sonhava.

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