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5.3.08

schubert: um cara 'singular' que dormia de óculos, papel e caneta à mão.



Aos sete anos de idade ( 1804 ) Franz Schubert foi confiado ao maestro do côro da paróquia de Liechtental — este, dominava contraponto muito bem —, Michael Holzer, que além do piano e violino — ensinado pelo irmão Ignaz e por seu pai Franz Theodor Florian Schubert — passou a estudar orgão, canto e composição. A musicalidade estava no sangue de Schubert, tudo o que era passado soava-lhe familiar e, quando sua família reunia-se para tocar, ele apontava os erros de seus irmãos mais velhos, inclusive os erros de seu pai, só que delicadamente: "Senhor meu pai, alguma coisa saiu errado aí..."
­Em 1808 foi aprovado no Internato Imperial do Stadkonvikt, o maestro italiano — um de seus primeiros e mais influentes — Antônio Salieri, observou que Schubert se mostrava um ótimo soprano, e o diretor do colégio acrescentou que o garoto possuia muito bom preparo elementar.
Dois anos depois, aos 13 anos de idade compôs uma Fantasia para Piano a 4 Mãos e o Quarteto para Cordas nº1 em Si Bemol Maior. No ano seguinte escreveu Hagars Klage, seu primeiro Lieder. Schubert não foi o primeiro a criar um lied ( poema lírico, no qual a música e as palavras se fundem, caracteristicamente germânica ), Weber já compunha e antes deste vários músicos oitocentistas do Norte da Alemanha já haviam esboçado o gênero. Só que seus lieder continham algo de novo, pessoal e unico.
­Ele recebeu em 1811 do Internato Stadkonvikt "a decisão de expressar ao mesmo a especial satisfação pelos seus notáveis progressos" no livro de atas.
Franz Schubert "grasnou" pela última vez em 26 de julho de 1812, depois de 3 anos integrado no côro dominical do Internato, quando atingiu a puberdade — modificando sua bela voz.
­Ao deixar a escola em 1813, Franz Schubert era de formação tipicamente classicista: no coral do colégio tivera a oportunidade de conhecer a maior parte do repertório sacro classicista cultivada em Viena na época e todo seu aprendizado instrumental fôra baseado em Mozart e Haydn.
No mesmo ano sua mãe morre e um ano depois seu pai se casa com Ana Kleyenbock, este fato e a possibilidade de ser convocado para o exército afetaram sua sensibilidade. Graças à grande carência de mestres-escolas em todo o país, os mesmos não eram convocados. Isso abriria a ele a possibilidade de escapar à caserna e eliminar os conflitos que frequentemente vinham ocorrendo entre ele e o pai, que insistia em forçá-lo a preparar-se para o magistério.
­Em 1814 Schubert matriculou-se na Escola Normal. Embora estudando para ser professor, Schubert fazia da composição sua principal atividade, cariando varios quartetos e minuetos, alguns lieder e ainda uma obra de grande porte — a Missa em Fá Maior —, a primeira da sequencia de seis que escreveria.
­Usando versos de Goethe, Schubert escreve Margarida na Roca ( Gretchen an Spennrade ), considerada a expressão mais alta do lied.
Ao completar 18 anos ( em 1815 ) Schubert caiu em um surto de produção, criou 203 obras, entre elas a Missa nº2 em Sol, a 2ª Sinfonia em Ré Maior, quatro óperas e 145 lieder.
­Schubert era desapegado com as coisas que compunha, largava os seus originais em tabernas, nos bancos de jardins publicos, nas casas aonde ia, perdia-os com frequencia.
Sua inspiração o impunha a escrever em lugares inusitados. Uma vez ele escrevera no guardanapos de um restaurante uma melodia para um poema de Shakespeare: Ouve, Ouve a Cotovia. Durante o sono lhe passavam temas pela cabeça, por isso costumava dormir de óculos, sempre com papél e caneta à mão, a fim de anotá-los depressa e adormecer novamente.
Schubert morreu com 31 anos no dia 19 de novembro de 1828 vitimado pelo tifo, com seiscentas canções entre lieds, sinfonias, óperas e outros trabalhos escritos.
datas e fatos relevantes obtidos em: Abril Cultural, 1969; Grandes Compositores da Música Universal.

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